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Conta na ponta do lápis

Como calcular o custo por arroba do boi, passo a passo

Quase todo produtor sabe quanto recebeu pela arroba. Bem menos gente sabe quanto CUSTOU produzir cada uma — e é essa a conta que diz se o ciclo deu lucro ou se você trabalhou de graça. Vamos fazer ela inteira, com números de um lote de verdade, e no fim mostrar o erro que quase todo mundo comete.

Primeiro, alinhar a unidade: 1 arroba = 30 kg de boi vivo

Parece óbvio, mas é onde as contas começam a divergir. Quando você negocia boi gordo a R$ 340 a arroba, essa arroba é de CARCAÇA: 15 kg. Como a carcaça rende em torno de metade do peso vivo, cada arroba negociada corresponde a mais ou menos 30 kg de boi em pé.

Para o cálculo de custo isso importa porque você pesa o animal VIVO. Um boi que saiu com 450 kg vivos tem, na conta do produtor, 15 arrobas. Então: arrobas = quilos de peso vivo dividido por 30. É assim que a conta fecha com o que cai na sua mão na hora da venda.

Passo 1: quantas arrobas o lote PRODUZIU

Aqui está o primeiro erro comum: usar o peso de saída. Não é o peso de saída, é o GANHO. Você não produziu o boi inteiro no período — ele já entrou pesando.

Exemplo de um lote de 100 cabeças, 180 dias de engorda:

Entrada: 300 kg por cabeça, ou 30.000 kg no lote. Saída: 450 kg por cabeça, ou 45.000 kg. Ganho do período: 15.000 kg. Dividindo por 30, o lote produziu 500 arrobas.

  • Entrada: 100 cab × 300 kg = 30.000 kg
  • Saída: 100 cab × 450 kg = 45.000 kg
  • Ganho: 45.000 − 30.000 = 15.000 kg
  • Arrobas produzidas: 15.000 ÷ 30 = 500 @

Passo 2: somar TUDO que saiu do bolso no período

Todo mundo lembra da ração e do suplemento. O custo por arroba fica mentirosamente baixo justamente por causa do que se esquece.

No mesmo lote de 100 cabeças em 180 dias:

Total: R$ 95.000 no período. Note que dois terços disso não são o cocho — e são justamente os que ficam de fora quando a conta é feita de cabeça.

  • Suplemento e ração: R$ 60.000
  • Sanidade (vacina, vermífugo, carrapaticida): R$ 3.000
  • Mão de obra proporcional ao lote: R$ 18.000
  • Arrendamento ou custo da terra: R$ 12.000
  • Diesel, energia, manutenção de cerca e bebedouro: R$ 2.000

Passo 3: a divisão

Custo por arroba produzida = custo total do período ÷ arrobas produzidas. No nosso lote: R$ 95.000 ÷ 500 @ = R$ 190 por arroba.

Agora o número serve para decidir. Com a arroba a R$ 340, por exemplo, cada arroba que você produziu deixou R$ 150 de margem — antes do custo do animal que entrou. Se estivesse a R$ 180, você estaria pagando para engordar.

É por isso que essa conta precisa ser mensal, e não no fim do ciclo: R$ 190 virando R$ 240 no meio da seca é a hora de decidir entre segurar o lote ou vender mais magro. Descobrir isso oito meses depois não é informação, é lamento.

O erro mais comum: esquecer o custo indireto

Se você somar só suplemento e sanidade do exemplo acima, dá R$ 63.000, e o custo por arroba cai para R$ 126. Parece ótimo. É R$ 64 por arroba de ilusão — e sobre 500 arrobas, R$ 32.000 que existiram e não apareceram na conta.

Mão de obra, arrendamento, diesel e manutenção saem do seu bolso do mesmo jeito que o saco de ração. Quem faz a conta só com insumo acha que está ganhando dinheiro num ciclo que empatou.

O outro erro, mais sutil: descartar o animal que emagreceu. Em ano de seca sempre tem alguns. Tirar eles da conta melhora o número no papel e não melhora o caixa. A média tem de incluir quem perdeu peso, senão você está medindo o lote que gostaria de ter.

Onde o sistema faz essa conta para você

Fazer isso à mão, por lote, todo mês, é o que ninguém sustenta por muito tempo. No Gestão da Pecuária a conta sai dos lançamentos que já existem: as pesagens dão o ganho, o cocho dá o custo do suplemento e o financeiro dá o resto.

Na tabela de lotes do Painel Terminação existe a coluna Custo/@, lote por lote, ao lado do ganho médio diário e da conversão alimentar. No Painel de Controle existe o Custo por @ produzida da propriedade inteira, que divide o que foi efetivamente pago pelas arrobas vendidas no período.

E o animal que emagreceu entra no cálculo, como tem de ser — foi decisão do dono do produto, que é pecuarista. O número fica mais feio em ano ruim, e fica certo.

Para ver o resto: o que o sistema faz, os planos e as perguntas frequentes. O teste é de 15 dias, sem cartão: dá tempo de lançar um lote e ver a sua conta sair pronta.

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